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terça-feira, 23 de agosto de 2011

O desafio da arte em tempos digitais

Foto: Claudio Tavares

As mutações em torno da forma de ler e de se produzir a literatura foram tônicas no debate “Literatura e arte na era dos bits”, que aconteceu às 14 horas desta terça (23), no Palco de Debates, na 14ª Jornada Nacional de Literatura. A artista digital e professora Giselle Beiguelman, a filósofa Márcia Tiburi, o quadrinista Mauricio de Sousa, o crítico inglês de literatura infantil Peter Hunt e a escritora e estudante Luisa Geisler, vencedora da categoria de contos do Prêmio Sesc de Literatura de 2010 participaram do debate.

Entre os vários depoimentos relevantes para o tema, a artista digital e professora Giselle Beiguelman concentrou a sua fala nas novas possibilidades de produção de arte em dispositivos móveis. “Ao nos abrirmos para discutir a arte em redes, precisamos repensar o contexto de leitura, em que as plataformas se multiplicam, para um leitor em trânsito e que faz outras atividades ao mesmo tempo.” Ela mostrou vídeos de códigos que carregariam informações pessoais em celulares, e a de um aparelho cuja tela muda de tamanho dependendo da necessidade.

Giselle, que reflete há alguns anos sobre a arte no contexto de redes, avalia que é provável que o livro eletrônico permita uma leitura socializada. “Acredito que deva ser uma literatura pensada para um leitor que divide a sua atenção entre objetos simultâneos, e que está em trânsito e faz a leitura em dispositivos móveis”, disse. Assim como Peter Hunt, ela destacou que o leitor será um coautor. Nada disso, porém, decretaria a morte do livro impresso.

João Almino: "Todos vivemos um pouco através das redes"


João Almino, com o livro “Cidade Livre” (Record), foi o vencedor do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura 2011. Esta manhã ele participou de coletiva de imprensa e falou um pouco de sua vida, citando que começou a ler muito cedo os regionalistas nordestinos na biblioteca do pai: “Com 14 anos tive o privilégio de ler Graciliano Ramos”. Ele confiava muito no seu livro para vencer o prêmio e disse que estava feliz por estar bem acompanhado pelos vencedores anteriores e também pela qualidade dos escritores finalistas que disputaram com ele. Sobre a obra premiada, explicou a ligação com a linguagem da Internet: “Achei que o universo dos blogs estava crescendo muito na nossa vida cotidiana, todos vivemos um pouco através dessas redes. Mas o blog não é o centro da narrativa, eu tomei partido por uma literatura mais bem acabada, apenas incorporei a linguagem do blog, mas mesmo esse relato passa pelo crivo do personagem que é o revisor. Na época eu comecei um blog para sentir como funcionava um blog”.

Livro digital ou livro impresso? João Almino acha que os dois se alimentam: “Há certos livros que eu quero em papel, outros eu não quero, só preciso consultar. Principalmente quando eu viajo facilita muito, em vez de malas pesadas eu escolho dentro do kindle o que eu quero ler”.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Os cartunistas gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá falarão para jovens na Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo


Dois dos mais premiados cartunistas brasileiros, os gêmeos paulistanos Fábio Moon e Gabriel Bá, apresentam o seu trabalho e conversam com os jovens na Jornight, na 14ª Jornada Nacional de Literatura, dia 24 de agosto

“Desde sempre !” É assim, com uma exclamação, que o quadrinista e autor Fábio Moon responde à pergunta sobre desde quando desenha junto com o seu irmão gêmeo, Gabriel Bá. A dupla participa da 14ª Jornada de Literatura, no Encontro com os Gêmeos, ao lado dos também célebres Paulo e Chico Caruso, na Jornight – um encontro com mil jovens de até 25 anos que é novidade nesta edição da Jornada. “Aos 15 anos já sabíamos que queríamos fazer histórias em quadrinhos, e começamos a criar os fanzines”, lembra Fábio.

De lá para cá, o fanzine 10 Pãezinhos tornou-se muito popular. Tanto que originou a publicação de uma série de livros: apenas no Brasil eles têm nove lançados. A arte da dupla ultrapassou fronteiras e ganhou volume em países como os Estados Unidos, Itália, França e Espanha. E conquistou uma série de prêmios, como o prestigioso norte-americano Eisner Award e o Jabuti, pela adaptação em quadrinhos do livro “O Alienista”, de Machado de Assis.

De forma geral, os temas adultos dominam os seus quadrinhos, que escancaram a vida, o trabalho, a amizade, mas também os problemas e desafios do cotidiano. Como os gêmeos dividem o desenho e a escrita? “Nós dois fazemos de tudo”, conta Fábio. Ambos escrevem de um jeito parecido, a diferença está no traço. “Como eu desenho com pincel e meu irmão com caneta, fica diferente.”

Hoje, a dupla produz a série Daytripper para a editora norte-americana Vertigo – que aparece liderando o ranking de quadrinhos mais vendidos do jornal New York Times. E aos sábados, assina a tira “Quase Nada”, na Folha de São Paulo. “Um dos maiores desafios para os quadrinistas no Brasil é fazer as pessoas descobrirem o seu trabalho. É difícil levar os quadrinhos para além do pequeno nicho que já os consome.”

Aos 34 anos, Fábio acha mais do que natural compartilhar o estúdio de trabalho com seu gêmeo. “Para mim, é o cenário ideal. Não preciso ter medo de crítica ou de cobrar: temos intimidade.” Palavra de gêmeo.